fevereiro 24, 2020

Com o projeto ‘Chefs em casa’, dupla leva dotes culinários para residências da Baixada

De um lado, três décadas de experiência à frente de um restaurante de frutos do mar. Do outro, um chef autodidata cuja habilidade na cozinha chamou a atenção de um reality-show de culinária famoso na TV. Unidos pelo talento e pela vontade de oferecer experiências exclusivas de alta gastronomia na Baixada Fluminense, os chefs Alexandre Amaral e Marcelo Costa criaram o projeto “Chefs em casa”.

A proposta é simples: preparar nas residências das pessoas ou em suas empresas pratos diferenciados, que podem ser servidos em diversas ocasiões, de jantares íntimos a eventos com a presença de até cem pessoas.

Marcelo Costa, de 46 anos, mora em Nova Iguaçu desde criança. Filho de um barbeiro e de uma empregada doméstica, ele superou as dificuldades da infância, formou-se em engenharia e hoje é sargento do Corpo de Bombeiros. Foi observando a mãe — cozinheira talentosa que fazia as receitas de cabeça, porque não sabia ler ou escrever — que Marcelo alimentou dentro de si o gosto pela gastronomia. A inspiração materna e sua habilidade inata para a cozinha foram reconhecidos: ele foi selecionado para participar da quarta edição do programa “MasterChef Brasil”, da Band, em 2017.

— Foi uma experiência incrível, que meu deu visibilidade e abriu muitas portas no mundo da gastronomia — reconhece Marcelo, que chegou a cozinhar diante dos jurados Paola Carosella, Henrique Fogaça e Érick Jacquin, mas foi eliminado na fase de duelos, antes de conquistar o avental.

O talento do chef Alexandre Amaral também foi herdado, mas por parte paterna. O pai de Alexandre era motorista de ônibus quando decidiu abrir um bar para complementar a renda. Um dia, alguns clientes pediram para ele fazer um peixe. O prato foi tão bem recebido que, em pouco tempo, o bar deu lugar ao restaurante Peixe do Vanor, no Centro de Nova Iguaçu. Foi neste ambiente que Alexandre iniciou e aprofundou os conhecimentos na preparação de frutos do mar.

— Há 30 anos, em Nova Iguaçu só tinha pizzaria e restaurantes de carnes. Tinha uma ou outra casa que oferecia peixe, mas nenhuma especializada nisso. Foi um cliente que deu essa ideia para o meu pai. Ele disse: “Larga essa coisa de botequim e entra nessa área de frutos do mar, que ainda não existe aqui”. Então, ele criou um prato, uma coisa que surgiu da cabeça dele, que é um enroladinho de peixe com queijo. O prato foi batizado de Peixe do Vanor, e, atualmente, além de ser o carro-chefe do nosso restaurante, já começou a ser copiado por aí — afirma Alexandre.

Foto: Cléber Júnior

O encontro de Alexandre e Marcelo se deu por acaso. Um dia, navegando nas redes sociais, as publicações de Marcelo sobre “gastronomia fit” (alimentos adaptados para o mundo fitness) chamaram a atenção de Alexandre, que estava em busca de um novo negócio. Os dois marcaram um encontro e, ao fim daquele papo, nascia o projeto “Chefs em casa”.

— Hoje, na Baixada, temos poucas opções de uma gastronomia de nível mais alto. As pessoas sentem falta de ter acesso a pratos que assistem em filmes, em programas de culinária, em filmes. Então, a gente sentou e criou essa proposta de ir na casa ou em eventos intimistas de pessoas para apresentar um cardápio de alto nível, com entrada, prato principal, sobremesa e bebida harmonizada — explica Marcelo.

A receita deu certo. Dois meses após a criação do projeto, os pedidos já até extrapolaram os limites da Baixada: no mês passado, Alexandre foi contratado para cozinhar em um evento em Paraíba do Sul.

— A ideia de ter um chef na cozinha da sua casa, paramentado, disposto a montar uma mesa bacana, é uma coisa diferente, é chique, chama a atenção dos contratantes e dos convidados — diz Alexandre.

CI Rio de Janeiro (RJ) 14/07/2019 BX. Alexandre e Marcelo são os chefs do projeto
CI Rio de Janeiro (RJ) 14/07/2019 BX. Alexandre e Marcelo são os chefs do projeto “Um chef na sua casa”. Foto Cléber Júnior / Agencia O Globo Foto: Cléber Júnior / Fotos de Cléber Júnior

O valor do serviço varia de acordo com o pedido. O cardápio fica a critério do cliente, que pode escolher entre comprar os ingredientes ou deixar tudo por conta dos chefs. Para se ter uma ideia, um jantar com entradinhas de camarão empanado, paella como prato principal e sobremesa pode sair a R$ 60 por pessoa. No caso de pratos mais sofisticados, o valor pode chegar a R$ 100 por convidado.

Para Marcelo, o principal diferencial é a qualidade do produto final.

— Hoje, eu vejo que alguns restaurantes da Baixada Fluminense fazem uma maquiagem de pratos sofisticados. Você pede um risoto de camarão, mas recebe um arroz parboilizado com caldo de camarão. O verdadeiro risoto é feito com arroz arbóreo na manteiga, com vinho branco, que vai sendo regado com um caldo de camarão feito à parte. Então, hoje muita gente não sabe o que é um prato sofisticado porque é enganado. Então, numa data romântica, por exemplo, é uma oportunidade de proporcionar ao parceiro um jantar de qualidade — assinala o chef.

Quem estiver em busca de novidades gastronômicas também pode optar por um cardápio inteiramente fit. Os que acham que comida saudável é sinônimo de comida sem graça podem se surpreender positivamente, alerta o chef.

— Esse é um mercado que cresce muito e há uma escassez de chefs voltados para a área fit. Eu tenho uma cozinha em casa onde faço minhas experiências e algumas delas têm tido boa recepção, como o brownie feito à base de pasta de cacau 100%, cacau em pó 100%, chocolate 70%, gotas de chocolate 60% e castanha do Pará. Nenhum produto industrializado, por exemplo, é utilizado nesse preparo — conta Marcelo.

A mais recente criação do chef na área é outra sobremesa: a torta de limão.

— Ela é feita à base de farinha de amêndoa. Em vez de leite condensado leva nata, cream cheese light, suco de limão e outros segredos que deixam a receita muito boa — garante ele.

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