novembro 30, 2020

Estudo faz levantamento de crimes políticos na Baixada Fluminense


Vinte e cinco pessoas ligadas à política na Baixada Fluminense foram assassinadas nos últimos quatro anos. As informações fazem parte do último levantamento feito pelo Fórum Grita Baixada, uma aliança de organizações e pessoas da sociedade civil, articuladas em prol de iniciativas voltadas aos direitos humanos e a segurança pública na região.

Das 13 cidades que integram a Baixada, oito respondem pelo total de crimes políticos, analisados entre 2016 e o último dia 10 de novembro. Nova Iguaçu, Magé, Seropédica e Duque de Caxias apresentam o maior número de casos, com 80% dos registros no período analisado. Completam a lista, com um caso cada, Japeri, Nilópolis, Paracambi  e São João de Meriti.

O professor da Universidade Rural do Rio de Janeiro e autor de um livro sobre violência política na Baixada Fluminense,  o sociólogo José Cláudio Alves, afirma que um dos fatores que favoreceram esse quadro foi a redução de cargos eletivos.

Sonora: “Diminuiu o número de vagas em Nova Iguaçu, então aumentou a concorrência. Nova Iguaçu é a cidade do Brasil com a maior relação candidato-vaga. Quando um pré-candidato anuncia sua intenção de concorrer, isso aumenta as disputas e a violência política.”

Para chegar ao total de 25 pré-candidatos, candidatos, gestores públicos e cabos eleitorais assassinados na região, o Fórum Grita Baixada analisou reportagens de jornais e sites de notícias. No levantamento, foram considerados apenas os assassinatos, e descartados os casos de atentados sem mortes. A maioria das reportagens foi produzida logo após o delito, não sendo possível, segundo o estudo, ter definida nenhuma conclusão sobre a sua motivação.

O ano de 2016 continua sendo o período com o maior número de mortes – 12 no total (48% do total analisado no período). Do total de assassinatos da pesquisa, 22 tiveram homens como vítimas. As 3 mortes restantes foram mulheres, todas de Magé. Outro dado marcante foi o de que 48% das pessoas assassinadas eram pré-candidatos. O sociólogo José Cláudio Alves explica que esse é o maior percentual, em comparação a outras categorias, como candidatos, vereadores, suplentes, cabos eleitorais, ex-candidatos, ex-vereadores e ex-gerente de empresa pública.

Sonora: “A Baixada Fluminense ocupa um dos lugares mais violentos pros agentes públicos do Brasil. Há grande quantidade de envolvidos com grupos milicianos ou com as próprias milícias. Boa parte dos casos tem referência a pré-candidatos. O fato tem chamado muito a nossa atenção, os de pré-candidatos serem os mais assassinados.”

Os dados levantados pelo Fórum Grita Baixada apontam que os crimes eleitorais e a violência política na Baixada Fluminense são, na maior parte dos casos, exercidas entre os grupos milicianos que não aceitam perder poderes, privilégios e interesses econômicos. O Fórum Grita Baixada conclui que a ocorrência de uma política majoritariamente dirigida e associada ao crime se consolidou e se intensificou na região após as eleições de 2018.

*Com informações da Rádio Nacional/RJ/Grupo EBC

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