outubro 31, 2020

Maioria da população dos EUA confia em cientistas, segundo dados de uma animadora pesquisa

Boas notícias para vocês, cientistas: a maioria da população dos EUA acha que vocês são bons e que vale a pena ouvir vocês. De acordo com um novo relatório divulgado na sexta-feira pelo Pew Research Center, a maioria dos americanos confia em cientistas e em maior grau do que qualquer outra profissão voltada para o público. Além disso, a confiança do país nos cientistas aumentou nos últimos anos.

As descobertas vêm de uma pesquisa nacionalmente representativa conduzida pela Pew com cerca de 4.500 adultos americanos em janeiro deste ano.

De acordo com a pesquisa, 86% dos americanos têm pelo menos uma “boa dose” de confiança no fato de que os cientistas como um todo agem em defesa dos melhor interesses do público, enquanto 35% têm “muita confiança” neles. Isso representa um aumento substancial em relação aos 76% que disseram o mesmo em 2016. E, de fato, a ciência é aparentemente a instituição mais confiável do país, com os militares (82%) e os diretores das escolas (77%) logo atrás. Enquanto isso, o público continua a desconfiar da mídia (47%), de CEOs e líderes empresariais (46%) e de políticos (35%).

“É difícil definir as razões para a recuperação da confiança pública”, disse Cary Funk, diretor de pesquisa científica e social do Pew Research Center, ao Gizmodo por e-mail. “Uma coisa a notar é que o aumento da confiança ocorre entre democratas e republicanos”.

Isso não quer dizer que não houve diferenças entre os grupos.

As pessoas que identificam ou simpatizam com os republicanos, por exemplo, relataram menos confiança nos cientistas (82%) do que aqueles que se identificaram como democratas (91%). E quando as pessoas eram perguntadas sobre áreas específicas da ciência — seis no total — os republicanos eram muito menos propensos a ter uma visão positiva dos pesquisadores ambientais (40%) do que os democratas (70%).

Uma porcentagem maior de democratas também acreditava que os cientistas deveriam estar ativamente envolvidos em debates públicos sobre políticas científicas, e que eles tinham uma percepção maior sobre essas questões do que a média das pessoas.

Isso quase certamente reflete a divisão partidária sobre as mudanças climáticas e o meio ambiente em geral. Em outros campos da ciência, porém, não havia tal disparidade partidária.

“Há amplas divergências políticas em crenças sobre questões climáticas, energéticas e ambientais. Essas divisões estão presentes há mais de uma década. Mas as divisões sobre alimentos transgênicos, vacinas infantis e outras questões relacionadas à ciência se baseiam em outros motivos, não em filiação partidária ”, disse Funk.

Embora a tendência geral seja ótima, há aspectos da ciência sobre os quais o público ainda está cético. Menos de 20%, por exemplo, achavam que os cientistas em geral costumavam se manifestar sobre seus potenciais conflitos de interesses com a indústria. Também foi registrada menor confiança nos cientistas de nutrição (os cínicos não estão errados).

Poucas pessoas em geral, mas especialmente poucas minorias (tão baixas quanto 11%), acreditavam que os cientistas regularmente admitiam e assumiam a responsabilidade por seus erros. Isso faz sentido no contexto histórico da longa discriminação e exploração de minorias por cientistas e médicos. O estudo de Tuskegee, conduzido pelo governo dos EUA entre os anos 1930 e 1970, por exemplo, deliberadamente deixou centenas de afro-americanos sem tratamento para sífilis, até mesmo ocultando o diagnóstico deles.

Os resultados da pesquisa sugerem algumas maneiras pelas quais os cientistas podem continuar a manter ou melhorar a confiança do público.

“Como o público pensa sobre os fatores que influenciam sua confiança, os resultados foram claros”, disse Funk. “A maioria diz que quando eles ouvem sobre descobertas de pesquisas onde os dados estão disponíveis abertamente, isso aumenta sua confiança. Da mesma forma, cerca de metade do público diz que confia mais nas descobertas das pesquisas se as descobertas receberem uma revisão independente.”

Do outro lado das coisas, aprender mais sobre ciência compreensivelmente nos deixa mais dispostos a confiar nos cientistas. Enquanto apenas 75% das pessoas com relativamente pouco conhecimento científico confiavam nos cientistas, isso acontecia com 93% das pessoas com conhecimento científico relativamente alto.

E no Brasil?

Enquanto isso, no Brasil, uma pesquisa da CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) publicada em junho mostrou que, de 2015 a 2019, a porcentagem de brasileiros que acreditam que a ciência só traz benefícios caiu de 54% para 31%.

Além disso, 90% das pessoas não souberam dizer o nome de um cientista brasileiro e 88% não souberam dizer onde se faz pesquisa no País. Mesmo assim, 73% são otimistas com a ciência brasileira e dois terços defendem que o orçamento para pesquisas deveria aumentar.

Outra pesquisa, a Wellcome Global Monitor 2018, feita pela Gallup em 144 países, mostrou que 35% dos brasileiros desconfiam da ciência e um em cada quatro acreditam que ela não contribui com o País. O Brasil está na 111ª posição no ranking de confiança na ciência.

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