Witzel se movimenta para 2026

O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson José Witzel voltou ao debate político com a perspectiva de reorganização de forças para as eleições de 2026. Eleito em 2018 com ampla votação após deixar a magistratura federal, Witzel chegou ao Palácio Guanabara apoiado por uma coalizão conservadora que se mostrou decisiva para sua vitória eleitoral.
Meses depois da posse, divergências estratégicas, disputas internas e intrigas políticas enfraqueceram a base aliada. O processo culminou em seu afastamento em 2020 e posterior impeachment em 2021, decisão de natureza político-administrativa distinta de condenação penal.
Witzel foi investigado, porém não houve sentença criminal definitiva que o condenasse por corrupção ou roubo. Desde o início, sua defesa sustentou ausência de dolo, enriquecimento ilícito ou benefício pessoal comprovado, argumentando que irregularidades administrativas não configuram crime sem prova direta de participação consciente. O ex-governador afirmou ter sido responsabilizado antes do encerramento das apurações, classificando o episódio como perseguição política e “massacre institucional”.
Para aliados, o caso tornou-se exemplo de como o sistema político brasileiro pode comprometer reputações antes de decisões judiciais finais. A queda do governo teria sido resultado não apenas das investigações, mas também do isolamento provocado pela ruptura com a própria base que o elegeu.
Nos bastidores, analistas políticos apontam que uma rearticulação do campo conservador fluminense pode ocorrer em 2026, incluindo eventual reaproximação com o senador Flávio Bolsonaro, liderança que integrou o mesmo ambiente político da eleição de 2018 e que, à época, compartilhava eleitorado e pautas convergentes com o então candidato ao governo. A recomposição buscaria reunir capital eleitoral e experiência administrativa para reconstruir a frente política que marcou aquele pleito.
Witzel mantém o discurso de inocência e afirma buscar a reabilitação plena de sua trajetória pública. Para apoiadores, ele foi mais uma vítima de um sistema político marcado por disputas que frequentemente antecedem a conclusão da Justiça.
Renato Faria
Jornalista (MTB 0045343/RJ)



















