Inmetro muda o futuro de Duque de Caxias
O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) é o “gigante silencioso” de Duque de Caxias. Localizado no distrito de Xerém, seu Campus de Laboratórios é um dos mais avançados do mundo, e sua presença transforma o perfil econômico da região de uma logística de “passagem” para uma economia de conhecimento e alta tecnologia.
Atração de Indústrias de Alta Tecnologia
A proximidade com o Inmetro atrai empresas que dependem de precisão e certificação constante.
Cluster Tecnológico: A presença do instituto fomenta a criação de um ecossistema de biotecnologia, nanotecnologia e energias renováveis.
Redução de Custos: Empresas instaladas em Duque de Caxias e arredores têm acesso facilitado a serviços de calibração e ensaios laboratoriais, reduzindo custos logísticos de envio de amostras para o exterior ou outros estados.
Oportunidade: O Distrito Tecnológico de Xerém. O potencial do Inmetro não é apenas técnico, mas geográfico. O entorno do campus pode servir como um Parque Tecnológico.
Incubadoras e Startups: Espaços para novas empresas que utilizam a infraestrutura e o know-how dos pesquisadores do instituto.
Parcerias Público-Privadas (PPPs): O Inmetro pode atuar como âncora para atrair centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de multinacionais que já utilizam a Washington Luís para logística.
Qualificação de Mão de Obra Local – O Inmetro eleva a barra educacional da região.
Educação Técnica e Acadêmica: Através de seus programas de mestrado e doutorado, além de parcerias com o IFRJ e a UFRJ (que possui campus em Caxias), o instituto forma especialistas em metrologia e qualidade.
Empregos de Alto Valor: Diferente dos galpões logísticos que geram muitos empregos operacionais, o polo tecnológico do Inmetro gera empregos de alta remuneração, o que movimenta o comércio e serviços de luxo na região.
Fator, Impacto no Desenvolvimento: Certificação para Exportação, ajuda empresas locais a atingirem padrões internacionais, permitindo que produtos de Caxias cheguem à Europa e EUA.
Infraestrutura de Energia, o Inmetro lidera pesquisas em Hidrogênio Verde, podendo transformar a região em um polo de transição energética.
Segurança Jurídica, a metrologia legal garante que as transações comerciais na região (combustíveis, balanças, medidores) sejam justas e confiáveis.
O “Pulo do Gato”: Integração com o Arco Metropolitano
O verdadeiro potencial econômico surge quando unimos a infraestrutura de transporte (Arco e Washington Luís) à infraestrutura de qualidade (Inmetro). Isso permite que Duque de Caxias deixe de ser apenas um lugar que “guarda caixas” (logística) e passe a ser um lugar que “valida produtos” (tecnologia).
Imaginemos uma carga vinda de Minas Gerais pela BR-040 que para em Caxias, é testada e certificada pelo Inmetro, e segue pelo Arco Metropolitano direto para o Porto de Itaguaí já pronta para o mercado global.
O Inmetro em Xerém está vivendo um momento de expansão acelerada em 2026, consolidando-se como o motor de uma “Neoindustrialização” para a Baixada Fluminense.
Hidrogênio Verde (H2V) e a Transição Energética
O Inmetro não produz hidrogênio para venda, mas ele é o “árbitro” que garante que o hidrogênio produzido no Brasil seja realmente “verde” e aceito pelo mercado internacional (como a União Europeia).
Laboratório de Gases (Lanag): Com as novas obras finalizadas em 2026, o Inmetro expandiu sua capacidade de medição de gases de alta pureza. Isso é vital para indústrias petroquímicas e de energia da região que querem migrar para o H2V.
Impacto Local: Duque de Caxias, por abrigar a REDUC e grandes termelétricas, está no centro da transição. O Inmetro fornece a tecnologia para que essas empresas adaptem suas plantas para o uso de hidrogênio, atraindo investimentos em descarbonização.
Nanotecnologia: O Futuro nos Pequenos Detalhes
O Inmetro possui o único microscópio de feixe de hélio do Brasil e laboratórios de ponta em nanometrologia. O foco agora é levar isso para a prateleira das empresas.
Saúde e Biotecnologia: Em parceria com a Fiocruz (que também tem forte presença no Rio de Janeiro), o Inmetro desenvolve nanomateriais para vacinas e fármacos. Isso abre espaço para um polo farmacêutico de alta tecnologia em Caxias.
Materiais Avançados: Pesquisas com Grafeno e nanocompósitos estão sendo usadas para criar tecidos inteligentes e componentes industriais mais resistentes.
Certificação de Produtos Nano: Um projeto conjunto com o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) foca na criação de selos de qualidade para produtos nanotecnológicos, dando segurança para startups locais competirem globalmente.
O “Parque Tecnológico de Xerém” – A grande novidade para 2026 é a consolidação do Parque Tecnológico em parceria com a Prefeitura de Caxias, situado a menos de 1 km do campus do Inmetro.
A Proposta: Ocupar terrenos vizinhos com empresas que “bebam na fonte” do Inmetro.
Incubadora de Empresas: O Inmetro reativou e ampliou seu edital para empresas residentes, focando em doutores que queiram transformar suas teses em negócios (o programa Doutor Empreendedor).
Atração de Indústria: se uma empresa de pneus ou de painéis solares (temas que o Inmetro regula fortemente hoje) se instala em Xerém, ela tem o laboratório de testes “no quintal”, reduzindo drasticamente o tempo de lançamento de novos produtos.
Projeto, o que gera para a região? Hidrogênio Verde, transforma o polo petroquímico tradicional em um polo de energia limpa. Nanotecnologia, atrai indústrias de saúde, cosméticos e eletrônicos de alto valor agregado.
Novo Complexo Laboratorial, aumento de 1.500 m² de área técnica, gerando demanda por serviços e pessoal altamente qualificado. A integração do Arco Metropolitano com o Parque Tecnológico de Xerém cria um corredor onde o produto é fabricado, certificado tecnologicamente e exportado com selo de qualidade global, tudo sem sair de um raio de 20 km.
A Rodovia Washington Luís (BR-040) é, literalmente, o cordão umbilical que conecta a excelência científica do Inmetro ao mercado consumidor e ao setor produtivo. Sem ela, o conhecimento gerado em Xerém ficaria isolado; com ela, o Inmetro se torna um motor de desenvolvimento regional.
Aqui estão os quatro pilares que definem essa relação estratégica:
O “Corredor da Metrologia” – A Washington Luís conecta o Inmetro a dois dos maiores polos de pesquisa e indústria do Brasil:
Conexão Rio-Petrópolis: o Inmetro está estrategicamente posicionado entre o ecossistema de tecnologia do Rio (UFRJ, Fiocruz, Parque Tecnológico do Fundão) e o polo de tecnologia de Petrópolis (LNCC – Laboratório Nacional de Computação Científica).
Acesso Industrial: A rodovia permite que grandes indústrias instaladas em Duque de Caxias (como a REDUC e indústrias químicas) enviem equipamentos pesados para calibração e ensaios nos laboratórios de Xerém de forma rápida.
Logística de Amostras e Padrões Nacionais – O Inmetro é responsável por manter os Padrões Nacionais de Medida. Isso exige uma logística impecável.
Transporte Especializado: muitos equipamentos que chegam ao Inmetro são extremamente sensíveis (balanças de altíssima precisão, relógios atômicos, materiais radioativos para medicina). A qualidade da pista da Washington Luís e o acesso facilitado pela rodovia são vitais para que esses equipamentos não sofram danos por vibração ou atrasos.
Distribuição de Referências: é pela Washington Luís que saem os materiais de referência certificados que serão usados por laboratórios em todo o Brasil.
O Inmetro como “Vitrine” na Rodovia – A localização do Campus de Xerém, visível para quem sobe a serra de Petrópolis, funciona como um marco simbólico:
Atração de Capital Intelectual: a facilidade de acesso pela BR-040 permite que pesquisadores e doutores que residem no Rio ou em Petrópolis trabalhem no Inmetro, garantindo que o instituto retenha os melhores cérebros do país.
Segurança e Infraestrutura: o trecho da rodovia próximo ao Inmetro recebeu melhorias de iluminação e segurança nos últimos anos, o que favorece o funcionamento de turnos estendidos de pesquisa e o fluxo de visitantes internacionais que vêm para congressos no campus.
Integração com o Arco Metropolitano – A Washington Luís serve de ponte entre o Inmetro e o Arco Metropolitano:
Certificação “Just-in-Time”: uma carga vinda de Minas Gerais pode descer a serra pela BR-040, passar pelos ensaios de conformidade no Inmetro em Xerém e, em poucos minutos, acessar o Arco Metropolitano para ser exportada pelo Porto de Itaguaí.
Eficiência: isso cria um ciclo de “Produção -> Certificação -> Exportação” extremamente eficiente, aumentando a competitividade do produto brasileiro.
Em 2026, discute-se o uso da Washington Luís como um “Living Lab” (Laboratório Vivo). O Inmetro pode usar trechos da rodovia para testar tecnologias de Cidades Inteligentes, como sensores de carga em movimento nos pavimentos e sistemas de comunicação entre veículos (V2X), aproveitando a infraestrutura da rodovia para validar inovações brasileiras.
Renato Faria é jornalista profissional, registrado sob o MTB 0045343/RJ.



















